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“Gypsy” O musical


Há 50 anos, estreava na Broadway um dos melhores musicais já produzidos no país dos musicais. Título: “Gypsy”. Subtítulo: “A musical fable” (A Fábula Musical).  Sucesso na Broadway, “Gypsy” já ganhou várias montagens, numa prova de que resiste ao tempo e às modas.
O musical, considerado uma perfeita integração de drama (texto de Arthur Laurents), canto (música de Jule Styne e letras de Stephen Sondheim) e dança (coreografia de Jerome Robbins), é, também, um desafio aos realizadores de outras épocas e lugares, mesmo com toda a  experiência dos “Reis dos Musicais”, Möeller & Botelho. Desafio, sobretudo, pelo enredo muito centrado no show-business americano de entre as duas guerras, passado em dois ambientes teatrais estranhos ao público brasileiro como são o vaudeville e o burlesco. Desafio, ainda, por depender muito de uma superatrizcantora para viver uma das mais complexas personagens já vistas num musical, além dos excelentes dançarinos, de duas faixas de idade, para cumprir o que o coreógrafo, também diretor, criou para ajudar a contar a história.
Gypsy é considerado o mais perfeito musical de todos os tempos“, disse o diretor Claudio Botelho.
“Gypsy” conta a história da stripper norte-americana Gypsy Rose Lee e sua conturbada relação com a mãe,Rose Lee.
Os números de Gypsy Rose Lee fizeram história no teatro burlesco da década de 1930. Embora seja grande personagem — três casamentos, vários romances com gente famosa, alguns escândalos, um filho com o diretor de cinema Otto Preminger, filmes, romances publicados, respeito e admiração de intelectuais como H. L. Mencken, Picasso, Miró, Chagall e participação ativa no apoio à Guerra Civil Espanhola —, não é em torno dela que se constrói a trama de “Gypsy”.
Foi o grande Arthur Laurents que, convocado pelo produtor David Merrick para escrever um musical baseado nas memórias de Rose Lee, lançadas em 1957, percebeu que Mame Rose e sua determinação em transformar as filhas June e Louise em estrelas do vaudeville (teatro de variedades, itinerante, pobre em tudo, a não ser como possível ponto de partida para futura carreira na Broadway) é que forneciam a matéria-prima para um excelente musical.
Merrick concordou e, por sugestão de Laurents, contratou Sondheim para escrever música e letra. Ao mesmo tempo, a veterana Ethel Merman, monstro sagrado entre as superestrelas da Broadway, fez questão absoluta de ser a Mame Rose imaginada por Laurents. Ambos, produtor e autor, vibraram com a adesão de Merman. Quem não vibrou foi Sondheim: “Não quero trabalhar novamente com compositor desconhecido”, disse Merman, lembrando o fracasso de seu musical anterior, “Happy hunting”.
Até então, o único trabalho de Sondheim para o teatro tinham sido as letras de “West Side story”. A decisão da estrela quase o fez pular fora, mas, convencido por seu mentor, Oscar HammersteinII, Sondheim, que sonhava ser o notável compositor-letrista que realmente seria, aceitou escrever as letras para músicas de outro gênio, Jule Styne.
“Gypsy”, o resultado de toda essa história, foi dos raros musicais a obter unânimes críticas positivas quando de sua estreia. Positivas, só, não, pois nenhuma delas lhe negou a condição de obra-prima. Se ficou menos de três anos em cartaz, é porque Merman saiu ao fim do segundo. Não muito depois, o musical virou filmes, um de cinema (com Rosalind Russel) e outro na TV (Bette Middler). Nos revivals que se seguiram, a presença de uma superatriz-cantora sempre foi o diferencial. Tiny Daly e Linda Lavin, por exemplo, não deram certo. Angela Lansbury saiu-se melhor. E Patti LuPone, da vitoriosa produção recente na Broadway, foi a Mame Rose que Claudio Botelho quer ver retomada por Totia.
Gypsy Rose Lee, a Louise da história, morreu em 1970. Sua irmã June, com o nome artístico de June Havoc, teve algum êxito no cinema. e faleceu em 28 de março de 2010, aos 97 anos. Mame Rose morreu três anos antes de publicada a autobiografia da filha mais famosa (ela, que apostava mais na carreira de June). Teve um turbulento fim de vida, administrando um prostíbulo de lésbicas em Nova York e sendo suspeita de ter matado o amante a tiros. Segundo o filho, Erik Preminger, Mame Rose foi mais do que suspeita, apesar da versão oficial de suicídio.
Fonte: O Globo – 29/05/09 (com atualizações).

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