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A moda agora é agora é ser retrô


 Por Marcela Rodrigues Silva 
O resgate do vintage, o estilo de décadas passadas, se estende a moda, decoração e entretenimento. Conheça paulistanos que fazem uma verdadeira viagem oa passado de forma autêntica e confira nosso miniguia retrô
 Seduzido pelas músicas de Elvis Presley, The Beatles e Chuck Berry ainda na infância, o empresário Giuliano Garbi, de 36 anos, não hesitaria se pudesse, por um momento, ingressar numa máquina do tempo e voltar à década de 50. E assim o fez, à sua maneira. Aos 18 anos, foi praticar dança de salão e tornou-se expert em rockabilly. À época, encontrou o estilo inconfundível que o acompanharia na vida adulta: topete frondoso, camisa ‘de boliche’ e calça dobrada até a canela.

(Foto: JF Diório/AE)
A viagem não teria volta. Tal como Gil (Owen Wilson), personagem de Meia-Noite em Paris (2011), que vê a década de 40 como a melhor para se viver, Garbi e uma legião de fãs da estética de outrora têm encontrado maneiras de revisitar suas décadas passadas preferidas. No filme de Woody Allen, Gil passeia por diversas décadas numa mistura fantástica. Mas, num tempo que não permite devaneios, o resgate se faz a partir das referências em moda, decoração e até entretenimento – que não cansam de reinventar a estética do passado.
Segundo Denise Pollini, professora de História da Moda da Escola São Paulo, nunca foi tão fácil resgatar o antigo. “Somos a geração mais bem informada. É fácil conhecer melhor o passado e saber trazê-lo associado ao nosso tempo”, diz. Fábio Righetto, professor de design de produtos da Faap, explica que, em momentos de crise, seja financeira, social ou emocional, é natural que a sociedade se volte ao passado. “Alguns pensadores diziam que, quando o presente não atende mais, é preciso olhar o passado para ver o futuro. É uma nostalgia, algo como ‘éramos felizes e não sabíamos’.”, diz.
Giuliano Garbi, por exemplo, mandava fazer suas roupas. Hoje, traz peças sempre que sai de viagem e mantém na rotina o garimpo a brechós, lojas especializadas e internet. Mas há sete anos, faltavam lugares onde se pudesse desfilar o estilo sem parecer exótico ou chamar demais a atenção.
Em 2004, pensando naqueles que, como ele, queriam ouvir rockabilly e sentir-se nos Anos Dourados, abriu com sócios o The Clock Rock Bar. Se a fachada passa despercebida no cenário boêmio da zona oeste, atravessar a porta de entrada, porém, leva a um túnel do tempo que remete a 1950. Decoração vintage, funcionários a caráter, tudo isso embalado por, claro, som rockabilly. No cardápio, velharias como Vaca Preta (milk-shake de sorvete de creme com Coca-Cola) e Cuba Libre (à base de rum e Coca-Cola).
Quero ser Diva
Cabelos negros, batom vermelho, delineador bem marcado, óculos estilo gatinho são marcas registradas da paulistana Helô Piercer, de 23 anos. As referências de seu guarda-roupa e penteadeira vêm de divas (mortas) inspiradoras: Bettie Page (1923-2008) e Rita Hayworth (1918-1987). Helô veste-se como uma pin-up, modelo de mulher sensual dos anos 50, que tem feito sucesso entre as meninas modernas. Até o piercing da moça, estrategicamente colocado perto da boca, faz a função de imitar a famosa pinta da eterna diva Marilyn Monroe (1926-1962).
Anos 50: Helô Piercer é adepta do estilo pin-up (Foto: Arquivo Pessoal)
  “É um conceito, não basta passar batom vermelho e usar delineador. Somos atraídas por uma estética que valoriza a feminilidade da mulher, tão banalizada hoje”, explica Helô, que se diz sensual sem vulgaridade. “Até eu, que sou gordinha, consigo ser elegante e sensual”, diz a moça, que, em casa, segue a cartilha retrô.
A estética vintage, associada ao glamour da Hollywood de antigamente, também fisgou a ex-bailarina Karina Raquel, ou Fascinatrix, como é conhecida na noite. A inspiração para a performance burlesca de seus pocket shows, no entanto, foi contemporânea, e veio de mulheres performáticas e sedutoras, como a musa americana  Dita Von Teese.  Em comum entre as três burlescas, lingeries e maquiagem vintage. “Homens e mulheres ficam fascinados”, conta Karina, que se apresenta no Sonique Bar, na Bela Cintra, e em eventos.
Fascinarix retomou os pocket shows buslescos dos anos 40 e 50 (Foto: Divulgação)
Moda pop retrô
Entre os blues chorosos de Amy Winehouse, morta em julho passado, e o pop animadinho de Katy Perry, as duas famosas cantoras têm em comum a inspiração para seus looks. Amy, com o topetão e os vestidinhos estruturados. Katy, com o cabelinho à la Dita. É o que aponta a professora de História da Moda Denise Pollini. “Amy abusava da referência dona-de-casa-anos-50 e formava seu estilo soul-pop-retrô, ainda que de maneira caricata. Já Katy lembra Dita Von Teese na beleza, no cabelo e no figurino.” O segredo para reciclar referências, diz Denise, é temperar o estilo original, atual, com elementos retrô.

A apresentadora Julia Petit é fã dos anos 1920 e 1940 (Foto: Divulgação)
Exemplo disso é a apresentadora de TV e produtora musical Julia Petit. Colecionadora de peças vintage, ela é fã dos anos 20 e 40. “São referências elegantes e femininas, um estilo atemporal. Você pode colocar uma peça dos anos 20, mas não fica datada. Eu amo”, diz. Denise Pollini contextualiza: “A mistura de tendências passadas é totalmente compreensível numa sociedade com tanta sofisticação visual e referências.”
A tendência nostálgica impulsionou os negócios dos sócios
Anderson Napoles, de 33 anos, e Thiago Cecco, de 31. Adeptos do estilo rock’n’roll dos nos 40, 50 e 60, eles comemoram a abertura da terceira loja da Barbearia 9, especializada em barba e cabelo à moda antiga: clientes são atendidos em pesadas cadeiras de ferro cromado. O corte à navalha é seguido de toalha quente. Segundo Thiago, o comércio nasceu da ideia de recriar o ambiente das antigas barbearias. “É um resgate dos velhos hábitos, tão esquecidos”, conta. “Homens de qualquer idade e estilo podem cuidar da aparência num santuário para cavalheiros.”
Sócios, Anderson e Thiago resgataram o estilo das barbearias dos anos 40 (Foto: André Lessa)
 A onda também vintage tirou dos baús os pinguins de geladeira, revigorou os eletrodomésticos coloridos, tornou estilosos os móveis quadradões. Se os anos 90 condenava esses itens, ícones dos anos 40,50,60, 70 e ufa, 80 foram absolvidos pelos entendidos do décor.
O publicitário Leonardo Alves, de 31 anos, dá lugar de honra ao seu pinguim, na queridinha da casa, uma geladeira preta de pontas arredondadas dos anos 60, que veio da casa do avô e virou bibelô, assim como armários e uma vitrola. “Misturo estilos para meu apartamento não virar museu”, diz. “Essas peças têm apelo sentimental.”
(Leonardo Alves decorou o apartamento com peças herdada do avô (Foto: Nilton Fukuda/AE)
Os redutos para apreciadores de estilo vintage oferecem peças originais antigas, como a feirinha de antiguidades do vão livre do Masp, aos domingos, na Av. Paulista, que tem mais de 30 anos de existência e é parada obrigatória da legião nostálgica. No mesmo estilo, mas menos voltado a antiguidades e com o foco em música e filmes, a feirinha da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros, é outro programão, aos sábados. “O antigo nunca sai de moda. O que mudou é o publico, que está mais jovem”, diz George Sampaio, presidente da Associação de Antiquários de São Paulo. Seja qual for sua era preferida, vale o conselho da estilista Coco Chanel: “A moda é reflexo da época. Mas se a época for estúpida, esqueçam-na.” ::

MINI GUIA RETRÔ:
> > Exposição Retrô Anos 80
2001 Vídeo Megastore Sumaré. Av. Sumaré, 1744, Perdizes. De terça a domingo, das 15h às 21h. Até 30 de outubro. Grátis.

 > > The Clock Rock Bar  (Rua Turiassu, 806. 3672-0845 )

> > Barbearia 9 ( Centro: Rua Augusta, 1371,  3283-0170 e Rua Senador Paulo Egídio, 63. Itaim: Rua João Cachoeira, 894. )

> > Salão de Cabeleireiro Retrô  (Rua Augusta, 1140.  3151-5820)

> > Loja de Decoração Retrô 63 (Rua Harmonia, 63. % 2537-6232)

> > Brechó À La Garçonne (R. João Moura, 395. % 2364-3280)

> > Brechó Minha Avó Tinha  (Rua Itapicuru, 76. % 3865-1759)

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